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Eletricista desaparece após fugir de hospital onde estava internado no interior de SP

Esposa de eletricista desaparecido após fuga de hospital fala sobre falta de informações O eletricista Alex Rodrigo Nascimento, de 42 anos, está desaparecid...

Eletricista desaparece após fugir de hospital onde estava internado no interior de SP
Eletricista desaparece após fugir de hospital onde estava internado no interior de SP (Foto: Reprodução)

Esposa de eletricista desaparecido após fuga de hospital fala sobre falta de informações O eletricista Alex Rodrigo Nascimento, de 42 anos, está desaparecido desde o último sábado (21), quando fugiu do hospital que estava internado em Araras (SP). Ele estava fazendo tratamento de um quadro grave de depressão. A família de Alex, que é de Santa Bárbara d'Oeste (SP), considera que houve negligência por parte do Hospital São Leopoldo Mandic, por não ter impedido que ele fugisse e pelo atraso na comunicação do desaparecimento. A Polícia Civil investiga o caso. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram O hospital afirmou que, ao perceber o desaparecimento de Alex, acionou protocolos de contingência, comunicou a polícia e a família, está colaborando com as autoridades e oferecendo suporte, ressaltando que todas as medidas seguiram parâmetros éticos e técnicos. Disse ainda que segue resolução do Conselho Federal de Medicina, que "assegura ao paciente o direito de recusa à terapêutica proposta", e uma sindicância interna apura o caso de Alex. (veja abaixo o posicionamento). Alex Rodrigo Nascimento, de 42 anos, desapareceu após fugir do hospital que estava internado, em Araras (SP), no último sábado (21) Arquivo pessoal Internação e desaparecimento O eletricista foi internado na última quinta-feira (19), e sumiu por volta das 11h do sábado (21). O hospital registrou boletim de ocorrência on-line do desaparecimento às 18h56 do mesmo dia. A família foi informada no domingo (22) que a instituição havia feito registro virtual. A esposa de Alex, Natália Rostirola Nascimento, então foi até a Delegacia de Araras para registrar o caso presencialmente. Segundo o boletim de ocorrência, Natália relata que foi até o hospital, contatou uma médica e um enfermeiro e recebeu informações divergentes das fornecidas inicialmente pela administração do hospital ao seu cunhado. A primeira versão do hospital à família, segundo o B.O, é de que o paciente havia sido visto pulando um muro da unidade enquanto vestida bermuda preta, camisa estampada e chinelo. Porém, um dos enfermeiros informou para Natália que ninguém tinha presenciado ele pulando o muro. Família de Alex usa as redes sociais para buscar informações após desaparecimento em Araras, SP Reprodução/Facebook Ela relatou ainda que conseguiu ter acesso às imagens de uma câmera de segurança na cantina do hospital - o único local nas dependências da unidade com monitoramento - e viu o marido caminhando de uma ala em direção aos fundos, trajado de bermuda clara, camiseta preta e chinelo preto. Ele foi visto pela última vez por uma educadora física. Ainda no B.O, Natália ressaltou que, além da ausência de câmeras de segurança e da divergência nas informações, o hospital também omitiu detalhes à família, sem esclarecer se o paciente estava medicado no momento da fuga e sem fornecer o prontuário médico. Por fim, ela informou aos policiais que, quando permitiram seu acesso à ala em que Alex estava internado, encontrou nos fundos do setor uma grande quantidade de materiais de construção, sucatas e ferramentas, e que acha a circunstância inadequada para um local destinado a pacientes como Alex. Mais notícias da região: TEMPORAL: 'Não sobrou nada': enchente destrói móveis, roupas e alimentos em casas no interior de SP ANIMAIS: VÍDEO: gavião é resgatado com ferimento e asa quebrada em garagem de casa no interior de SP LATROCÍNIO: Fazendeiro morre após ser baleado no rosto em tentativa de assalto no interior de SP; criminosos fugiram 'A gente contava que o hospital pudesse cuidar dele' Eletricista desaparece após fugir de hospital onde estava internado no interior de SP A irmã de Natália, Lorena Rostirola, contou ao g1 que o cunhado enfrentava tratamento contra a depressão desde novembro de 2025, mas sem apresentar grandes melhoras. A decisão da família em interná-lo ocorreu quando Alex passou a não querer sair de casa e não conseguir trabalhar . Segundo Lorena, os familiares só foram informados pela unidade médica do sumiço às 14h do sábado, cerca de três horas após a fuga. Após procurarem pela cidade de Araras, conseguiram acesso a uma única filmagem que mostra Alex subindo a rua do hospital em direção a pista às 11h14. "Eles [o hospital] não sabem afirmar com certeza como ele saiu", disse. Ela reclama do tempo levado pelo hospital para registrar a ocorrência, por se tratar de uma situação que necessitava de ajuda imediata da polícia, sendo necessário que sua irmã fosse presencialmente até a delegacia oficializar a denúncia. A família contratou uma equipe jurídica que está auxiliando em documentações que possam ajudar a encontrar Alex. Lorena conta que a internação foi escolhida pois foi oferecida como uma boa opção para o quadro do cunhado, que teria mais recursos e avançaria no tratamento. "Infelizmente a gente contava que o hospital pudesse cuidar dele de forma devida, mas deu condições para que o interno com depressão grave fugisse, deixando uma família totalmente desesperada e duas crianças pedindo pelo pai", lamentou. A família está usando as redes sociais para buscar informações do paradeiro de Alex. Denúncias podem ser feitas pelo Disque-Denúncia, no 181, ou para a Polícia Militar, no 190. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e aguarda posicionamento. Tipos de internação Uma psiquiatra ouvida pelo g1 explicou que a reforma psiquiátrica (Lei de 2001) encerrou o modelo de custódia eterna em manicômios, sendo o foco, agora, no cuidado e tratamento, não em detenção. Existem três tipos de internação: voluntária: quando o paciente aceita o tratamento. Uma vez internado, ele pode sair quando quiser. O término acontece por solicitação escrita do paciente ou por determinação do médico assistente. involuntária: solicitada pela família com indicação médica circunstanciada, justificativa técnica detalhada, comunicação obrigatória ao Ministério Público em até 72 horas e registro formal no prontuário. Ela acontece nas seguintes situações: risco iminente de morte, risco de heteroagressividade, incapacidade grave de autocuidado, surto psicótico com perda de crítica. O término da internação involuntária acontece por solicitação escrita do familiar, ou responsável legal, ou quando estabelecido pelo especialista responsável pelo tratamento. compulsória: determinada por decisão judicial, geralmente via Defensoria Pública, para casos de surto psicótico ou risco de morte. No caso de Alex, a esposa afirmou que ele demonstrou desespero e resistência para permanecer no hospital no momento da despedida e, então, ela precisou autorizar a internação involuntária. A psiquiatra explicou que um perito é quem vai determinar as condições em que ele estava no momento em que saiu do hospital e se houve algum tipo de negligência. Sobre o prontuário médico, a psiquiatra explica que é um documento pessoal e que a família não tem direito de acessá-lo diretamente para investigar o ocorrido, a menos que haja uma ordem judicial. Hospital diz que adotou protocolos Em nota, o Hospital São Leopoldo Mandic Araras informou que assim que o sumiço de Alex foi notado, foram adotados protocolos de contingência, com buscas internas e externas, comunicação à polícia para registro e aviso aos familiares. O hospital disse também que está cooperando com as autoridades e oferecendo suporte à família. A nota ainda ressalta que as condutas adotadas pela instituição seguiram parâmetros éticos e técnicos. O g1 questionou as demais alegações da família, mas a assessoria informou que a nota emitida já continha todo o posicionamento do hospital. Após ser questionado pelo g1 sobre qual o procedimento adotado caso o paciente psiquiátrico quisesse sair do hospital sem receber alta, a institutição respondeu em nova nota nesta quarta-feira (25) que segue resolução do Conselho Federal de Medicina, que "assegura ao paciente o direito de recusa à terapêutica proposta em tratamento eletivo, de acordo com a legislação vigente, desde que trate-se de paciente maior de idade, capaz, lúcido, orientado e consciente no momento da decisão". Disse ainda que o caso de Alex é apurado em sindicância. Veja reportagem completa do EPTV2: Família procura homem que desapareceu depois de internação em Araras Veja as notas na íntegra: NOTA DE ESCLARECIMENTO O Hospital São Leopoldo Mandic, por meio de sua Diretoria Técnica, vem a público esclarecer os acontecimentos envolvendo a evasão de um paciente no último sábado, 21 de fevereiro. O paciente foi admitido no dia 19 de fevereiro, tendo sua internação indicada após avaliação médica especializada, com laudo circunstanciado, em conformidade com a Lei nº 10.216/2001, assegurando tratamento adequado, com respeito à dignidade e observância dos requisitos legais. No dia 21/02, o paciente evadiu da instituição. Imediatamente foram adotados os protocolos internos de contingência, com a realização de buscas internas e externas, comunicação às autoridades policiais para registro de ocorrência e pronta informação aos familiares. Ressaltamos que o Hospital São Leopoldo Mandic está cooperando integralmente com as autoridades competentes e oferecendo suporte aos familiares. Importante reiterar que a instituição adota modelo assistencial alinhado às diretrizes da atenção psicossocial, sem caráter custodial, priorizando ambiente terapêutico humanizado e monitoramento proporcional ao risco. As condutas adotadas observaram os parâmetros éticos e técnicos vigentes, permanecendo como prioridade a preservação da vida, a integridade física e a dignidade do paciente. A instituição reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética médica, a segurança assistencial e a proteção integral dos direitos das pessoas com transtorno mental. Hospital São Leopoldo Mandic Veja a nota complementar do hospital: O Hospital São Leopoldo Mandic, por meio de sua Diretoria Técnica, vem a público prestar esclarecimentos adicionais acerca da evasão de pacientes e sobre os protocolos adotados para situações de recusa de tratamento. Reafirmando nosso compromisso institucional com a legalidade, a ética médica, a segurança assistencial e a proteção integral dos direitos dos pacientes, informamos que a instituição segue integralmente o previsto na Resolução do Conselho Federal de Medicina N° 2232/2019, a qual assegura ao paciente o direito de recusa à terapêutica proposta em tratamento eletivo, de acordo com a legislação vigente, desde que trate-se de paciente maior de idade, capaz, lúcido, orientado e consciente no momento da decisão. Quanto ao caso recentemente ocorrido e noticiado, informamos que encontra-se sob apuração interna, por meio de sindicância instaurada pela instituição para esta finalidade. REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara